O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) iniciou nesta segunda-feira (31/08) a primeira prova-piloto do inédito 1º Censo Nacional da População em Situação de Rua. Os trabalhos seguem até sexta-feira (04/09) em cinco capitais: Belo Horizonte/MG, Florianópolis/SC, Goiânia/GO, Salvador/BA e Manaus/AM.

Na capital mineira, o primeiro dia foi dedicado ao alinhamento das equipes, preparação de equipamentos e mapas, além do início das rotas de campo. Seis equipes atuam simultaneamente, entre 18h e 1h, percorrendo trechos da cidade e visitando instituições de acolhimento.

Os recenseadores trabalham uniformizados com colete e crachá do IBGE. A operação conta com o suporte de pontos focais da Prefeitura de Belo Horizonte e de movimentos sociais ligados ao setor.

Belo Horizonte foi escolhida por possuir uma rede institucional estruturada e experiência prévia em contagens municipais dessa população. A cidade serve como campo de teste para avaliar diferentes abordagens metodológicas, a integração da roteirização com registros administrativos e as dinâmicas de territórios centrais e periféricos.

O diretor de Pesquisas do IBGE, Gustavo Junger, e o coordenador-geral de Operações Censitárias, Fernando Damasco, acompanharam o início dos trabalhos na capital mineira. Damasco destacou que toda a logística está sob avaliação, desde a estrutura dos postos de coleta até os fluxos de contato e o dimensionamento da equipe:

Fernando Damasco, coordenador-geral de Operações Censitárias – Foto: Hiago Martins

“Tudo está sendo objeto de teste para pensar a operação final. É muito importante entender que esses processos estão em construção e são passíveis de observação, correções e ajustes”, afirmou Damasco, ressaltando o caráter coletivo da ação. “Estamos aqui juntos para aprendermos e deixarmos a metodologia do 1º Censo Nacional de Situação de Rua o mais adequada possível”.

A superintendente do IBGE em Minas Gerais, Rúbia Lenza, acompanhou a preparação na sede local do órgão e orientou os mais de 80 servidores envolvidos. “Precisamos testar a metodologia exatamente como prevê o treinamento para cobrir as diversas situações de campo”, pontuou.

Para o líder do Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua, Marquinhos, a preparação para o 1º Censo Nacional da População em Situação de Rua é um momento emocionante, de troca e aprendizagem. “Nós não abrimos mão de uma pesquisa desse porte ser feita pelo IBGE, pela colaboração, pela história, por representar uma instituição de Estado”, declarou.

Os testes servem para aprimorar os instrumentos de coleta, procedimentos operacionais e a logística em diferentes realidades, garantindo precisão para a execução do levantamento definitivo. Nessa operação, a coleta é predominantemente noturna, com encerramento previsto para a manhã de sexta-feira (4).

Trata-se de um ensaio para a realização do Censo nacional, prevista para a 2028. Todo o processo é acompanhado por representantes do CIAMP-Rua (Comitê Intersetorial de Acompanhamento e Monitoramento da Política Nacional para a População em Situação de Rua) e de outras instituições parceiras.