Impulsionados pela inteligência artificial e pelo open source, governos aceleram a digitalização de serviços e a jornada do cidadão, mas ainda enfrentam desafios críticos na integração de dados

A inteligência artificial já deixou de ser tendência para se tornar um elemento central na transformação dos serviços públicos no Brasil. Em meio à pressão por mais eficiência, transparência e melhor experiência do cidadão, governos avançam na digitalização de processos, apoiados por tecnologias abertas e pela necessidade urgente de integração de dados.

Durante o Red Hat Gov Forum Brasil, realizado em Brasília na última semana, especialistas destacaram que o uso estratégico de dados e IA pode redefinir a forma como o Estado se relaciona com a população ao longo de toda a sua jornada — do nascimento à aposentadoria.

Segundo estudo da McKinsey (2024), 72% das organizações globais já adotaram inteligência artificial em ao menos uma função, evidenciando que a tecnologia se tornou central para a modernização de serviços — incluindo o setor público, que apesar dos avanços, ainda enfrenta gargalos estruturais importantes.

Um dos principais é a fragmentação das informações. “A indústria passou 40 anos trabalhando processos, com pouca ênfase nos dados, que hoje estão desintegrados — e esse é o grande desafio para governos e empresas”, afirma Sandra Vaz, presidente da Red Hat no Brasil

Esse cenário impacta diretamente a eficiência das iniciativas de IA, que dependem de dados conectados, organizados e acessíveis para gerar valor real. Sem essa base, o potencial de automação, análise preditiva e personalização de serviços públicos fica limitado.

Ao mesmo tempo, a evolução tecnológica já começa a transformar, na prática, a experiência do cidadão. A jornada digital — que inclui desde vacinação, educação e acesso a benefícios até serviços financeiros — está cada vez mais integrada e simplificada.

“O open source faz a diferença ao garantir flexibilidade, escalabilidade e segurança, permitindo simplificar uma jornada do cidadão que antes era fragmentada e torná-la mais digital e eficiente”, completa.

Exemplos concretos dessa transformação já são amplamente visíveis no país. O sistema financeiro, com o avanço do Pix, tornou-se um dos principais casos de digitalização em escala, processando trilhões de reais mensalmente e ampliando a inclusão financeira. Da mesma forma, serviços como Enem, Previdência e sistemas eleitorais evidenciam como plataformas digitais vêm sustentando interações críticas entre governo e sociedade.

Nesse contexto, a inteligência artificial surge como um catalisador para um novo salto de produtividade — agora exponencial. Diferentemente de ondas anteriores de tecnologia, a adoção precisa ser rápida e estratégica, sob risco de ampliar desigualdades entre instituições mais e menos digitalizadas.

A convergência entre IA, dados integrados e open source aponta para um novo modelo de governo: mais responsivo, orientado por dados e centrado no cidadão. No entanto, especialistas reforçam que o sucesso dessa transformação dependerá da capacidade de superar silos de informação, equilibrar diferentes arquiteturas tecnológicas e acelerar decisões de investimento.