CNN Brasil

A Guarda Revolucionária do Irã disse ter atacado o “quartel-general de espionagem” de Israel na região semiautônoma do Curdistão iraquiano, informou a imprensa estatal na noite desta segunda-feira (15). A força de elite também teria feito ataques ao Estado Islâmico na Síria.

“Mísseis balísticos foram usados para destruir centros de espionagem e reuniões de grupos terroristas anti-iranianos na região esta noite”, disseram iranianos em um comunicado, citando a agência de espionagem israelense Mossad.

Além dos ataques perto da capital do Curdistão, Erbil, a Guarda disse ter lançado ataques contra os “autores de operações terroristas” no Irã, incluindo o Estado Islâmico.

Ao menos quatro civis foram mortos e seis feridos nos ataques na região, afirmou o conselho de segurança do governo do Curdistão em comunicado, descrevendo o ataque como um “crime”.

Explosões foram ouvidas em uma área a cerca de 40 quilômetros a nordeste de Erbil, pontaram três fontes de serviços de segurança, em um bairro próximo ao consulado dos EUA e de residências de civis.

Nenhuma instalação dos Estados Unidos foi afetada pelos ataques com mísseis, disseram duas autoridades norte-americanas à Reuters.

O empresário curdo multimilionário Peshraw Dizayee e vários membros de sua família estavam entre os mortos. Ao menos um foguete atingiu a casa da família, destacaram fontes médicas e de segurança iraquianas.

Dizayee, que era próximo do clã governante Barzani, era dono de empresas que lideravam grandes projetos imobiliários no Curdistão.

Além disso, um foguete caiu sobre a casa de um funcionário de alta patente inteligência curda e outro sobre um centro de inteligência curdo, complementaram as fontes.

A Reuters não conseguiu verificar de forma independente nenhum dos relatos. Autoridades do governo israelense não se manifestaram até a última atualização desta matéria.

Com o ocorrido, o tráfego aéreo no aeroporto de Erbil foi interrompido, de acordo com as fontes.

No passado, o Irã realizou ataques na região norte do Curdistão do Iraque, dizendo que a área é usada como “palco” para grupos separatistas iranianos, assim como para agentes de Israel.

Bagdá tentou responder às preocupações iranianas sobre os grupos separatistas na região montanhosa da fronteira, movendo-se para realocar alguns membros como parte de um acordo de segurança alcançado com Teerã em 2023.

No início deste mês, o Estado Islâmico assumiu a responsabilidade por duas explosões na cidade de Kerman, no sudeste do Irão, que mataram quase 100 pessoas e feriram dezenas num memorial ao comandante Qassem Soleimani.